quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Esquadrinhemos nossos caminhos

Texto de referência: Lamentações 3. 40, 41, 22 e 23

“Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-lo, e voltemos para o Senhor. Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus (...).

(...)

As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

Até a época de Samuel, Israel era governado por juízes escolhidos diretamente por Deus. Então, o povo resolveu pedir a Samuel que lhes constituísse um rei, para que fossem como as outras nações (1Sm. 8,4,5). Deus ordenou a Samuel que ungisse a Saul como rei de Israel.

Após o trágico fim do reinado de Saul, Davi foi ungido rei e, depois dele, seu filho Salomão.

Durante o reinado de Salomão, o reino foi dividido e nunca mais voltou a unificar-se. Havia o Reino do Norte, Israel, com capital em Samaria, e o Reino do Sul, Judá, com capital em Jerusalém.

Em dado momento, o Reino do Norte foi invadido e destruído, e nunca mais voltou a se reconstruir.

O Reino do Sul subsistiu ainda por um tempo, até que foi invadido por Nabucodonosor, rei de Babilônia, que cercou a cidade, incendiou Jerusalém, destruiu o templo e levou os judeus cativos.

E é exatamente neste contexto de destruição que o escritor de Lamentações apresenta suas queixas (a maioria dos estudiosos costuma aceitar que Jeremias foi o autor de Lamentações, mas há divergências).

O autor expressa toda a dor que sente por ver a destruição de Jerusalém e o cativeiro de seu povo. A humilhação e a vergonha eram tão grandes que é provável que a dor da alma fosse muito maior que qualquer dor física.

Porém, em meio ao seu lamento, o escritor deixa claro que ele sabe o motivo da destruição: “Justo é o Senhor, pois me rebelei contra o seu mandamento (...)” (Lm. 1.18); “(...) o Senhor a afligiu, por causa da multidão das suas transgressões (...)” (vv. 5); “Jerusalém gravemente pecou (...)” (vv. 8); “(...) gravemente me rebelei (...)” (vv. 20).

O povo de Deus estava tão somente sofrendo as consequências dos seus próprios pecados.

Em meio aos lamentos pela vergonha e destruição, o autor faz ao povo um conselho muito sábio: “Esquadrinhemos nossos caminhos, (...) e voltemos para o Senhor” (vv. 3.40). Esquadrinhar significa “examinar minuciosamente”. Em outras palavras, ele estava dizendo: “vamos fazer uma retrospectiva de tudo que nós temos feito até aqui; ponham a mão na consciência: por que Deus permitiu que todas estas coisas acontecessem conosco? Será que nós mesmos não procuramos nossa própria destruição quando desobedecemos a Deus?”

O autor aconselha o povo a fazer uma auto-análise, e voltar-se para o Senhor, porque as misericórdias do Senhor não têm fim, mas se renovam a cada manhã.

Fazendo uma aplicação do texto nos dias de hoje, podemos dizer que cada um de nós também tem andado por seus próprios caminhos, fazendo o que bem entende e se esquecendo de que Deus estabeleceu para nós um caminho a seguir.

Por que caminhos você tem andado? Que estradas você tem escolhido para percorrer na jornada da vida? Você tem vivido de maneira a agradar a Deus ou tem se preocupado mais em satisfazer suas próprias concupiscências?

Todos nós precisamos, todos os dias, fazer também uma auto-análise, e eu quero também te fazer um convite: esquadrinhemos os nossos caminhos! Vamos examiná-los minuciosamente e avaliar se temos andado de maneira a agradar a Deus. Caso contrário, voltemos para o Senhor! Mesmo que tenhamos pecado e transgredido, “o Senhor não rejeitará para sempre” (vv. 3.31), antes, “usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias” (vv. 3.32). E nós podemos ter certeza disto, porque “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (vv. 3.22)! Elas se renovam a cada manhã.

Ah! Se não fossem as misericórdias do Senhor... Há muito nós já teríamos voltado ao pó de onde viemos! Mas as misericórdias do Senhor não têm fim! E é por isso que nós podemos esquadrinhar nossos caminhos, reconhecer nossos pecados, nos arrepender e nos voltarmos para o Senhor, certos de que ele nos perdoará! Assim, podemos orar como o autor das Lamentações: “Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes.” (vv. 5.21)

Antigamente nós costumávamos cantar um corinho que era baseado justamente nos versículos do texto de referência. A letra é a seguinte:

Esquadrinhemos nossos caminhos
E voltemos ao Senhor
Levantemos nossas mãos ao Senhor
Levantemos as nossas mãos ao Senhor dos céus
E voltemos a Jeová, nosso Deus

Pela bondade do Senhor nós não somos consumidos
Porque as Suas misericórdias não têm fim
Novas são cada manhã (bis)
E mui grande Sua fidelidade

Alguém conhece e/ou lembra desse corinho??

sábado, 11 de julho de 2009

Um culto tipicamente pentecostal parte II - O retorno de Mariazinha


Atenção: esta história é baseada em “fatos reais”. Os nomes foram alterados para preservar a identidade das pessoas aqui envolvidas.

Passados alguns meses desde a sua experiência traumática na Igreja Evangélica Pentecostal, irmã Mariazinha já se sentia forte o bastante para visitar outras igrejas novamente sem entrar numa crise de pânico. Fora-lhe preciso muita auto-terapia para superar o incidente, mas irmã Mariazinha finalmente conseguiu aceitar a outro convite – desta vez numa Assembleia de Deus. Isso mesmo! Foi em uma das nossas que os fatos narrados aqui aconteceram.

Era uma igreja de médio porte, bem arrumada e com cadeiras estofadas.

-Muito confortável! – pensou irmã Mariazinha consigo.

Um irmão filmava o culto, que era transmitido por duas televisões de LCD, o que facilitava a visão dos irmãos que sentavam-se mais ao fundo.

Como sempre, o culto, que estava marcado para as 18h, começou com atraso.

O pastor, que não aparentava ter mais de 50 anos, deu início ao culto não exatamente com uma saudação seguida de uma oração, mas sim com um berro para o irmãozinho que cuidava dos microfones e neste momento estava na galeria:

-Ei, Joãozinho! Cadê o microfone do púlpito, meu filho?

O rapaz desceu correndo e trouxe o microfone ao pastor, que cedeu logo a oportunidade à orquestra, e o culto começou pra valer.

Irmã Marizinha, como nunca gostou de sentar nos primeiros bancos em uma igreja desconhecida, escolheu um lugar no fundo e na ponta. Atrás dela havia uma passagem e mais cadeiras atrás.

Quando o culto começou, a igreja ainda estava vazia, mas as pessoas logo começaram a chegar. Apesar de Mariazinha querer se concentrar no culto, era impossível que ela não reparasse nas pessoas que chegavam, pois cada um que passava por trás dela queria levar-lhe alguma coisa embora: uma irmã passou toda espavorida e quase leva o cabelo da irmã Mariazinha embora; um irmão que chegou pouco depois, deu-lhe uma cotovelada na cabeça e nem mesmo se desculpou; e assim foi praticamente durante todo o culto. As pessoas passavam pra lá e pra cá e esbarravam na pobre irmã Mariazinha, que pensava qual era o problema consigo mesma:

-Mas o que está acontecendo aqui? Será que ninguém me viu?

Foi então que ela se lembrou de mais um detalhe: desde que chegara na igreja, ninguém a havia cumprimentado! Todos a olhavam simplesmente como se não a vissem!

Juntando as peças do quebra-cabeças, irmã Mariazinha, chocada, pensou consigo:

-Oh, meu Deus! Não pode ser! SERÁ QUE EU FIQUEI INVISÍVEL?

Num gesto de desespero, irmã Mariazinha retirou um pequeno espelho de sua bolsa e lentamente o levou à altura dos olhos, estando com eles ainda fechados. Ela, na verdade, estava com medo de olhar e comprovar sua invisibilidade.

Devagar, irmã Mariazinha abriu os olhos e... viu sua imagem naturalmente refletida no espelho.

-Ufa! Que susto! É, acho que não estou mesmo invisível... são as pessoas desta igreja que são mal-educadas mesmo!

Decidida a permanecer na igreja até o final do culto e cultuar a Deus independente de qualquer bolsada, pancada ou puxada de cabelos, irmã Mariazinha fez o máximo que podia para concentrar-se no culto.

Foi então que ela percebeu: havia sentado na última cadeira do lugar onde o grupo das irmãs sentava, e havia uma senhora que simplesmente não parava de encará-la. Pensando bem, “encarar” não era a palavra mais adequada para descrever aquilo: a senhora a olhava tão feio, mas tão feio que parecia que ia fuzilar Mariazinha com os olhos!

-Mas o que foi que eu fiz? – pensou irmã Mariazinha consigo.

De repente, num lampejo de percepção, irmã Mariazinha se deu conta: provavelmente ela havia sentado na cadeira cativa daquela senhora e, ao que parece, a irmã carrancuda não estava gostando muito disso.

Como já não havia mais lugares disponíveis, irmã Mariazinha permaneceu ali, sentindo-se mal com tudo e com todos.

Não houve apresentação de visitantes no culto, que foi bastante demorado, por sinal. Quando finalmente o culto acabou, irmã Mariazinha levantou-se o mais depressa que pôde, para evitar ficar careca, ou sem cabeça no momento da saída das pessoas da igreja. Pegou sua bolsa e começou a caminhar em direção à porta de saída. Foi impedida por uma multidão de pessoas que queriam sair todas ao mesmo tempo, sem a menor consideração umas pelas outras. Irmã Mariazinha sentiu como se estivesse no Metrô Sé ás 18h de uma segunda-feira chuvosa...

Muitos empurrões e cotoveladas depois, irmã Mariazinha finalmente conseguiu sair da igreja – sem ganhar um cumprimento sequer – com aquela sensação de que, no que dependesse dela, nunca mais poria os pés naquela congregação.

Ela então pôs-se a pensar em como um visitante não crente se sentiria naquela igreja... Será que ele se sentiria bem recebido? Será que ele voltaria ali? Será que alguma vez ele voltaria numa igreja evangélica novamente? Será que ele aceitaria a Jesus e viraria um crente também algum dia?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mulheres de Deus (?)


Recentemente, li O Livro de Salema [1], um romance ficcional que conta a história de uma muçulmana que se converteu ao cristianismo. Não foi o primeiro livro que li sobre a questão das mulheres muçulmanas e da maneira como elas são tratadas nos países mais fundamentalistas, mas mesmo assim, mais uma vez, fiquei impressionada com o tratamento dispensado às mulheres nesses países.

Não são tratadas como pessoas, mas como objetos, cujo direito de propriedade pertence primeiramente ao pai e aos demais homens da família, e depois ao marido. Elas não têm direito a sonhos, expressão de vontades ou qualquer manifestação de seus sentimentos. São altamente reprimidas em tudo, inclusive na manifestação de sua feminilidade, por meio do uso das burcas.

Fico pensando em como é ser mulher num país assim, e fico pensando também em como deveria ter sido ser mulher na Idade Média e na época da Inquisição, quando as mulheres eram queimadas na fogueira acusadas de bruxaria. Não podiam estudar, trabalhar fora, às vezes nem mesmo tinham permissão para sair de casa. Tudo deveria ser feito com a autorização do marido.

Eu tinha uma professora de História que sempre dizia: “mulher, pano de chão e cachorro é tudo a mesma coisa!”. Acredito que em alguns lugares foi e é realmente assim.

Mas se formos fazer uma análise, o Brasil do século XXI não é diferente. A opressão à mulher também existe, porém com outra roupagem.

Hoje em dia a mulher ainda é vista como simples objeto: objeto sexual. Só que existe uma diferença: a mulher ocupa esse espaço por vontade própria.

Uma vez conquistados os direitos políticos e sociais, rebaixaram-se ao ponto de serem valorizadas apenas como objeto de desejo, e não como pessoas com personalidade e caráter.

Se uma mulher não possui as características físicas que a mídia impõe como beleza, passa a ser automaticamente rejeitada por todos. Afinal, é “feia”.

Diante de tudo isto eu me pergunto: e nós, mulheres cristãs, mulheres de Deus? Que estereótipo tem sido o nosso? De que maneira estamos tentando ser vistas pela sociedade? Temos imitado os padrões mundanos e procurado ser sensuais e desejáveis, ou temos nos comportado e nos vestido como verdadeiras servas do Senhor, que foram lavadas e remidas pelo sangue de Jesus Cristo? E você, homem de Deus: que características tem valorizado na mulher que você procura como esposa ou que já o é?


Em Provérbios, encontramos dois versículos que foram escritos há tanto tempo, mas que têm uma mensagem tão atual:

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.” (31.10)

“Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada.” (31.30)

Que sejamos conhecidas como pertencentes ao povo que se chama pelo nome do Senhor, e que Deus, em Cristo, nos abençoe!

[1] CASTRO, Arlete. O livro de Salema. São Paulo: Mundo Cristão, 2003

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Reflexão


“Tenho bastante consciência de que a música de adoração tornou-se uma indústria multimilionária. E sei que os avanços tecnológicos estimulam-nos a dar, mais do que nunca, maior ênfase à produção. Mas, ao viajar pelo país, tenho visto muitas equipes e líderes apresentando música de louvor, em vez de conduzir as pessoas à verdadeira adoração espiritual. O perigo disso é que as pessoas nos bancos se tornam meros espectadores, seguindo-os mecanicamente, porém nunca abrem o coração para a verdadeira adoração que Deus busca. A equipe de louvor pode estar cantando maravilhosamente, mas a sua música terá pouco impacto se não alcançar o discernimento de onde as pessoas estão espiritualmente, durante todo o processo.

Insisto para que as igrejas nunca valorizem a quantidade sobre a qualidade. É importante que se evite colocar muitas músicas seguidas, na hora da adoração, porque isso começa a parecer uma prova de resistência. Como líderes de adoração, nós não precisamos preencher o tempo com músicas, como se temêssemos uma interrupção entre elas. A verdadeira adoração também envolve períodos de silenciosa espera diante do Senhor.

(...)

Milhões de pessoas hoje estão famintas por uma experiência com o Deus vivo. Querem desesperadamente encontrá-lo e louvá-lo, não apenas ver a apresentação de outras pessoas. Estas pessoas não estão atrás de uma exibição, elas querem algo real. Se queremos conduzir as pessoas à adoração, temos de começar por nós mesmos, adorando a Deus quando cantamos, em vez de nos exibirmos.

(...)

Infelizmente, grande parte da atual e tão falada música evangélica é superficial, com pouco contexto sobre as verdades bíblicas de nossa fé. Mesmo que sejam boas, muitas músicas da variedade de “transição” contêm letras que poderiam facilmente ser cantadas para um namorado ou namorada. Tais músicas podem causar um impacto emocional, mas não deixam uma impressão espiritual no coração. É música evangélica sem o evangelho.”

CYMBALA, Carol. Tu és fiel, Senhor. São Paulo: Vida, 2001, pg. 76,77.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Muito obrigada!






Tive a honra de receber do irmão Levi Bronzeado (http://levibronze.blogspot.com/) a indicação para receber o selo dos Melhores Blogs da Cristandade. Agradeço-lhe muito!



Conforme as regras, indico agora 7 blogs para receberem o selo:




http://www.pescadoresdealmasitaquerao.blogspot.com/

http://ebditaquerao.blogspot.com/

http://manejandobemapalavradaverdade.blogspot.com/

http://soldadoscampeoes.blogspot.com/

http://raciocinioteologico.blogspot.com/

http://blogdomarcelooliveira.blogspot.com/

http://despertaiceifeiros.blogspot.com/

Para receber o selo, é necessário seguir as seguintes regras:

1) Colocar o link do blog que ofereceu o prêmio ao seu blog;

2) Escolher outros sete blogs de conteúdo cristão (não importando a corrente ou denominação) para receber a premiação e colocar seus links no post que consta a premiação;

3) Comunicar os blogs premiados;

4) Colocar as regras e a imagem do selo no post de premiação.

domingo, 12 de abril de 2009

O blogueiro pergunta... Conclusão*


Depois de algum tempo, respondo agora a terceira e última parte da pergunta do irmão Luis Paulo.

3º) “Seria coerente com a sã doutrina da Palavra de Deus usar, por exemplo, uma roupa que não seja condenada pela Palavra, mas que causa tropeço ao irmão?”

Depende.

A Bíblia não condena nenhum tipo específico de roupa, ela apenas nos orienta no sentido de que devemos nos vestir de maneira honesta, com pudor e modéstia (1Timóteo 2.9). Neste caso, o apóstolo Paulo se referia às mulheres, mas podemos incluir aqui também os homens.

Se uma mulher, por exemplo, cumpre os quesitos elencados acima, vestindo-se de maneira decente, por que seria ela motivo de escândalo?

Se um determinado irmão olha para uma irmã e sente por ela algum tipo de desejo sexual, em quem está o pecado? Na irmã que está usando uma roupa que não tem a intenção de provocar, ou no irmão que a olha com concupiscência? Por causa da concupiscência carnal desse “irmão” a mulher comete pecado?

Creio que cada situação deve ser avaliada de maneira isolada.

Há pessoas que se escandalizam com qualquer coisa. Esses irmãos, que são mais fracos na fé e consequentemente acabam julgando todas as atitudes dos demais, precisam passar por um processo de discipulado para que possam crescer e amadurecer espiritualmente, a fim de não continuarem sendo como crianças para o resto da vida:

“...até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças,... Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4.13-15)

Concluindo, usando a regra do amor cristão, o bom-senso, a sabedoria que Deus nos dá e o discernimento do Espírito Santo, tendo sempre as Escrituras como parâmetro, não seremos causadores de escândalo e nem nos escandalizaremos com as atitudes dos demais. Ao contrário, oraremos a DEUS em prol daqueles que, em suas fraquezas, utilizam como paradigmas padrões mundanos, inclusive as vestes, a forma de pentearem-se, a linguagem torpe (gírias, por exemplo), etc.

Afinal, servimos a um DEUS santo, que exige santidade (I Pe. 1:16; Lv. 11:44). Desta forma, para tudo o que fazemos, se pretendemos agradá-Lo, a santidade é o requisito essencial para tal.

Pois, tanto o que usa, como o que vê, devem examinarem-se à luz da Palavra. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse:

“Mas, se nós tivéssemos o cuidado de examinar a nós mesmos, não receberíamos o juízo. Quando, porém, somos julgados pelo SENHOR, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo” (I Cor. 11:31-32).

Que Deus, em Cristo nos abençoe!
*Com colaboração de Nilton Dutra.

Reflexão


“A preocupação significa que não confiamos tanto assim que Deus seja suficientemente grande, poderoso ou amorosos para cuidar do que está acontecendo em nossa vida.

O estresse denuncia que as coisas nas quais estamos envolvidos são tão importantes a ponto de merecer nossa impaciência, nossa falta de delicadeza em relação aos outros ou nossa incapacidade de manter o controle.

Basicamente, esses dois comportamentos demonstram que consideramos natural o pecado e a falta de confiança em Deus porque as coisas da vida são, de alguma forma, excepcionais. Tanto a preocupação quanto o estresse cheiram a arrogância. Eles denunciam nossa tendência de esquecer que fomos perdoados, que nossa vida aqui é muito breve, que estamos a caminho de um lugar onde nunca mais nos sentiremos sós, temerosos ou magoados e que, no contexto da força de Deus, nossos problemas são pequenos, de fato.” (pg. 38)

(...)

“Na parábola do semeador, Jesus explicou que a semente é a verdade (a Palavra de Deus). Quando a semente é lançada à beira do caminho, é ouvida, mas logo roubada. Quando ela cai entre as pedras, as raízes não se fixam; a profundidade e o crescimento são apenas aparentes por causa do solo fértil, mas não passa da superfície. Quando a semente é espalhada entre os espinhos, é recebida, mas logo sufocada pelas preocupações, pelos atrativos e pelos prazeres da vida. Mas, quando a semente é plantada em solo fértil, ela cresce, finca raízes e produz frutos.

Meu alerta a você é este: não tenha tanta certeza de que seu coração é solo fértil.

Acredito que a maioria das pessoas que frequenta as igrejas faz parte do solo que sufoca a semente por causa de todos os espinhos. Um espinho é qualquer coisa que desvia nossa atenção de Deus. Quando queremos o Senhor e um monte de outras coisas, isso quer dizer que há espinhos em nosso solo. Um relacionamento com Deus simplesmente não pode se desenvolver quando o dinheiro, o pecado, as atividades, os times pelos quais torcemos, os vícios ou outros compromissos são colocados no topo da lista.

(...)

Será que seu relacionamento com Deus mudou mesmo sua maneira de viver? Você consegue distinguir evidências do Reino de Deus em sua vida? Ou está sufocando esse Reino aos poucos, ao desperdiçar muito tempo, energia, dinheiro e pensamentos em coisas deste mundo?” (pg. 63-63)

CHAN, Francis. Louco Amor. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

domingo, 29 de março de 2009

O blogueiro pergunta...


O irmão Luis Paulo (http://despertaiceifeiros.blogspot.com/) fez a seguinte pergunta:

“O escândalo que não provém de um pecado pode afetar a sua salvação?
A Bíblia diz que o Senhor vai lançar no fogo os que cometem iniquidade e causam escândalo. Então, quero que considere o que Paulo diz, que se comer carne causar tropeço ao irmão, nunca mais ele comeria carne.
Seria coerente com a sã doutrina da Palavra de Deus usar, por exemplo, uma roupa que não seja condenada pela Palavra, mas que causa tropeço ao irmão?”

A pergunta é mais complexa do que aparenta.

Pretendo respondê-la por partes e deixo aqui o espaço aberto para que os irmãos que acompanham o blog opinem sobre a questão. Assim, divido a pergunta em três (usarei a tradução da NVI por achar que sua linguagem é mais clara):

1º) “Um escândalo que não provém de pecado pode afetar a sua salvação? (...) A Bíblia diz que o Senhor vai lançar no fogo os que cometem iniquidade e causam escândalo.”

NÃO.
Em primeiro lugar, nossa salvação não depende de nossas atitudes. Nós pecamos o tempo todo e, desde que nos arrependamos, podemos alcançar o perdão dos nossos pecados (1João 1.8-10).
A Salvação é dom (presente) de Deus a todos que receberam Jesus como único e suficiente Salvador (João 1.12).

O Aurélio define escândalo como “o que é causa ou resultado de erro ou pecado; indignação provocada por mau exemplo; fato imoral, revoltante”.

Cabe perguntar aqui: todo escândalo é pecado?
E se é pecado, é pecado pra quem: pra quem é causa de escândalo, pra quem se escandaliza ou para ambos?

Depende.

Vejamos o que Jesus diz em Mateus 13.40-42:

“Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.”

Nesta passagem, Jesus estava explicando aos seus discípulos o significado da parábola do joio. Aqueles que causam tropeço (ou escândalo, em outras versões) são o joio, ou seja, os filhos do maligno (cf. vv.38).

Neste caso, os causadores de escândalo são aqueles que, consciente e propositalmente levam os outros a tropeçar. São aqueles que têm aparência de piedade, mas na verdade não têm compromisso com Deus nem com sua Palavra (2Timóteo 3.3-5).

A partir disto, não podemos afirmar que todo causador de escândalo é réu do inferno.

Nem todo escândalo é pecado, pois o próprio Jesus causou escândalo (João 6.61).

Os escândalos pecaminosos são justamente aqueles provenientes de pecados, propositais.

Logo, o escândalo que causa pecado é aquele fruto de iniquidade. As pessoas que os cometem pecam conscientemente, e com o propósito de levar outros ao erro.

2º) “...Quero que considere o que Paulo diz, que se comer carne causar tropeço ao irmão, nunca mais ele comeria carne.”

Agora, o que o apóstolo Paulo diz sobre a questão de comer carne já envolve um contexto totalmente diferente. Vejamos o que a Bíblia diz:

“Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristecer devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos, Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo. Pois também Cristo não se agradou a si próprio (...).”
(Romanos 14.13-15.3)

“Com repeito aos alimentos sacrificados aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus. Portanto, em relação ao alimento sacrificado aos ídolos, sabemos que o ídolo não significa nada no mundo e que só existe um Deus. Pois, mesmo que haja os chamados deuses, quer no céu quer na terra (como de fato há muitos 'deuses' e muitos 'senhores'), para nós, porém, há um único Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem vieram todas as coisas e por meio de quem vivemos. Contudo, nem todos têm esse conhecimento. Alguns, ainda habituados com os ídolos, comem esse alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é fraca, fica contaminada. A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos. Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem esse conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. Portanto, se aquilo que eu como leva meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.”
(1Coríntios 8.1-13)

“'Tudo é permitido', mas nem tudo convém. 'Tudo é permitido', mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros. Comam de tudo o que se vende no mercado, sem fazer perguntas por causa da consciência, pois 'do Senhor é a terra e tudo o que nela existe'. Se algum descrente o convidar para uma refeição e você quiser ir, coma de tudo o que lhe for apresentado, sem nada perguntar por causa da consciência. Mas se alguém lhe disser: 'Isto foi oferecido em sacrifício', não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros? Se participo da refeição com ação de graças, por que sou condenado por algo pelo qual dou graças a Deus? Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Não se tornem motivo de tropeço, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. Também eu procuro agradar a todos, de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos. Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”
(1Coríntios 10.23-11.1)

Aqui, Paulo se referia a um contexto específico. Entre os coríntios, era comum que a carne de animais fosse oferecida a deuses pagãos. O que sobrava, era vendido no mercado. Alguns crentes se abstinham de comprar aquela carne, porque sua consciência dizia que se o fizessem estariam pecando, devido ao fato de não acreditarem que não deveriam comer carne de sacrifícios.

Paulo esclarece que o fato de a carne ter sido sacrificada a ídolos não significava nada, pois nós sabemos que não existem ídolos, tendo em vista haver um só Deus verdadeiro.

Porém nem todos tinham esse conhecimento. Aos pobres de conhecimento Paulo chama 'fracos'. Os mais fortes como Paulo, que tinham conhecimento, deveriam, em amor aos cristãos fracos, restringir sua própria liberdade para não levar outros ao pecado.

Aqui, a Bíblia trata de questões de fé, ou seja, aquelas acerca das quais existe diferença de opinião, e não de condutas pecaminosas.

Podemos incluir neste contexto as vestes e qualquer outra atitude que não envolva o pecado propriamente dito.

Nestes casos, o princípio que deve reger a liberdade de cada um é o amor ao próximo, conforme 1 João 2.10:

“Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço.”

Na próxima postagem, falarei sobre a terceira e última parte da pergunta.

Até lá!

(Continua...)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Era uma vez... Um culto tipicamente pentecostal

Atenção: este texto é uma ficção! Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...

Certa vez, a irmã Mariazinha foi convidada para visitar a igreja de uma amiga. Fora-lhe dito que o culto na Igreja Evangélica Pentecostal começava às 18h no domingo. Por isso, a irmã Mariazinha procurou se arrumar bem rápido para evitar chegar atrasada.

Chegando à igreja, deparou-se com o templo vazio.

-Será que cheguei muito cedo? - pensou consigo.

Olhou em seu relógio: 17h55.

-Não, estou no horário certo. Será que hoje não haverá culto? Mas a irmã Filomena me disse que hoje haveria culto normal...

Um pouco desconfiada, a irmã resolveu entrar no templo e esperar. Afinal, estava 5 minutos adiantada, e talvez os irmãos dessa congregação fossem realmente muito pontuais.

Às 18h15, um senhor de cabeça branca subiu no púlpito e, a julgar pelo fato de ter posto seu paletó na cadeira do meio, a irmã Mariazinha presumiu que ele fosse o pastor.

-Irmãos, a Paz do Senhor! Vamos orar de joelhos por 20 minutos antes de começar o culto. - disse o pastor.

A irmã Mariazinha, então, ajoelhou-se em seu lugar e começou a fazer sua oração. Antes, porém, percebeu que já havia pelo menos uma meia dúzia de pessoas no templo.

Durante sua oração, de repente, a irmã Mariazinha foi interrompida por uma estranha sensação: duas irmãs que chegaram atrasadas quase a atropelaram ao passar por sobre suas pernas para assentar-se no mesmo banco que ela. Ignorando o fato, irmã Mariazinha continuou sua oração, porém um som de vozes que não parecia exatamente uma oração a incomodou. Relutante, ela abriu os olhos e viu que as duas irmãs que chegaram atrasadas e a atropelaram estavam ajoelhadas a seu lado, mas ao invés de orar estavam conversando assuntos não muito espirituais...

-Mas você tem certeza disso?
-Claro que tenho! Eu vi com meus próprios olhos!
-Espera só até o pastor descobrir! O bicho vai pegar!
-Não vejo a hora de ele ficar sabendo! Assim ela vai parar de ficar dando uma de santa! Não te falei que uma hora a máscara cai?

Não acreditando no que via e ouvia e não conseguindo mais se concentrar em sua oração, a irmã Mariazinha resolveu sentar-se no banco. Ficou surpresa ao ver que o templo agora já estava bem mais cheio, mas apenas duas pessoas estavam realmente orando de joelhos. Os demais conversavam, andavam, se cumprimentavam ou simplesmente esperavam o período de oração acabar.

Passados os 20 minutos, o pastor tomou o microfone e deu início ao culto – às 18h35 -, passando a oportunidade para os irmãos do louvor congregacional que seriam acompanhados pela orquestra.

Durante o primeiro hino do Hinário, poucas pessoas cantavam – a maioria conversava e andava pela igreja -.

-Talvez eles não conheçam este hino. - pensou a irmã Mariazinha.

No segundo hino, porém, a situação se repetiu, e da mesma forma no terceiro.

Durante o terceiro e último hino, dois músicos da orquestra chegaram atrasados, mas conseguiram preparar seus instrumentos e arrumar um lugar para sentar a tempo de tocar a última estrofe – ufa! Quando o hino terminou, guardaram seus instrumentos e saíram do templo. Aliás, foram poucos os músicos da orquestra que permaneceram em seus lugares após o período em que eles realmente tinham uma participação efetiva no culto.

Após o louvor congregacional, chegou o momento de fazer a leitura oficial da noite. O pastor pediu que todos abrissem suas bíblias no Salmo 23 a fim de fazerem uma leitura responsiva. Poucos, porém, estavam acompanhando a leitura. Muitos nem sequer tinha levado Bíblia!

Na oração que se seguiu à leitura, o mesmo aconteceu: a maioria permaneceu de olhos abertos, alguns conversando, outros andando... Dava a impressão de que todos estavam alheios ao que acontecia no culto.

O pastor, então, deu oportunidade para que o Grupo de Jovens apresentasse seu louvor. No meio do hino, uma comitiva de irmãos de repente resolveu chegar ao culto – às 19h20! - e, como eram todos muito fraternais, fizeram questão de sair cumprimentando todo mundo, mandando tchauzinho pra um, dando beijinho no outro e perguntando aquelas coisas básicas de se perguntar quando a gente encontra um conhecido, do tipo: “E aí, como vai a família?”, “Seu filho já conseguiu emprego?”, “Quando vai ser o casório da sua filha?”, e coisas do gênero. Tudo bem a gente se preocupar com os irmãos e tal, mas nesse caso específico tinha um pequeno probleminha: o culto estava em pleno andamento!

A irmã Mariazinha surpreendeu-se pelo fato de, além de chegarem todos atrasados, os irmãos ainda estavam atrapalhando os demais que já estavam lá!

-Bem, - pensou a irmã Mariazinha – eu preciso tentar me concentrar no culto.

Mas no fundo, no fundo ela sabia que seria um tanto difícil conseguir se concentrar com aquela diaconisa na porta lateral que ficava mascando chiclete com a boca aberta e encarando todos os irmãos como se estivesse brava com eles...

Além disso, havia um outro fator de distração: um jovem casal, com o intuito de ter um pouco de sossego (pelo menos) na hora do culto, deixava sua adorável filhinha de cerca de 4 anos correndo pelos corredores da igreja. A menina era realmente uma gracinha: chamava a atenção de todos, muito mais do que o coral – que era o grupo que cantava agora – era capaz de fazer com seu belo arranjo vocal.

Enquanto todas essas coisas aconteciam, as adolescentes da igreja ficavam andando pra lá e pra cá o tempo todo, como se estivessem em um desfile de modas.

O irmão da recepção realmente não conseguia ficar parado! Andava o tempo todo, conversava com as pessoas, sempre chamando as atenções para si. Dava a impressão de que ele queria continuar recepcionando todos os que já estavam no templo! Além disso, ao que parece, ele não tinha muita noção de espaço, pois insistia em colocar mais uma pessoa num banco onde já havia pelo menos seis... Todos o olhavam torto, mas ele não se incomodava muito com isso.

No púlpito, os obreiros deviam estar realmente muito atarefados: subiam e desciam de lá toda hora, saíam e entravam da igreja e conversavam uns com os outros sem parar.

Falando em conversa, dava pra perceber que o povo dessa igreja era realmente chegado numa prosa! O tempo todo era possível ouvir o zum-zum-zum de pessoas conversando durante o culto.

Quando o pastor anunciou a oração que antecederia ao momento da pregação da Palavra, a irmã Mariazinha lembrou-se de que tomara muito chá à tarde e concluiu que esse seria o momento ideal para ir rapidamente ao banheiro. Quando chegou lá, surpreendeu-se com o que viu: um monte de irmãs conversando e gargalhando no banheiro, vários jovens conversando (e uns até namorando e se agarrando) no portão da igreja, uma infinidade de irmãos (inclusive alguns obreiros) tomando café e comendo um salgadinho na cantina... parecia uma feira! E tudo isso na hora do culto!

Irmã Mariazinha voltou à nave da igreja e sentou-se em seu lugar, perplexa.

-Bom, pelo menos posso aproveitar o momento da Palavra!

Poderia, se não houvesse tantas pessoas conversando e atrapalhando sua concentração durante todo o período da pregação!

Coitada da irmã Mariazinha! Saiu da igreja de sua amiga naquela noite com uma péssima impressão de que os membros daquela igreja eram todos mal-educados e irreverentes, além de aparentemente desconhecerem o que está escrito em Eclesiastes 5.1:

“Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.”

Ainda bem que essa igreja pentecostal que a irmã Mariazinha visitou é apenas uma exceção...

Ou será que não?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Legalismo X Liberalismo - Conclusão

Depois de fazer essa análise dos costumes à luz da Bíblia, chego agora à parte final deste assunto.

Diante do exposto, é possível concluir que:

O legalismo farisaico é altamente prejudicial à causa do Evangelho, pois confunde as pessoas e as afasta do verdadeiro alvo, que é Jesus.

O liberalismo mundano, contudo, é mais prejudicial ainda, pois faz com que o Evangelho perca sua essência e pureza, tendo em vista que deixa de haver uma real separação entre a luz e as trevas. Ambas se confundem.

Temos, pois, de ter sabedoria para chegar a um equilíbrio. Porém, esse equilíbrio deve estar necessariamente pautado em parâmetros bíblicos.

Assim sendo, retorno à primeira parte deste artigo e pergunto: É pecado uma mulher cristã usar calça comprida?

Depende.
Se o objetivo é causar sensualismo pode ser um pecado sim (Judas 1.19), mas não pelo fato de usar a calça em si. O pecado começa no coração.

Assistir TV é pecado?

Depende. Assistir programas que pregam promiscuidade, indecência e todo tipo de atitudes que desagradam a Deus pode se constituir em pecado sim (Salmo 101.3)!
A TV também precisa ser usada com sabedoria, não somente com relação ao que assistir, mas também no que diz ao respeito ao tempo de uso. Há muitos crentes que reclamam de não ter tempo para ler a Bíblia e orar, mas perdem várias horas de seus dias na frente da telinha...

Devemos, pois, agir com sabedoria e moderação, procurando sempre agradar a Deus em toda a nossa maneira de viver. Da mesma maneira como nos exemplos citados, os extremos devem ser evitados em todas as áreas de nossas vidas.

1Coríntios 2.15 diz o seguinte:
“Mas o que é espiritual discerne bem tudo...”
E Gálatas 5.16:
“Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.”

Sejamos, pois, crentes mais espirituais e menos carnais, e assim poderemos agradar a Deus em nossos costumes e em toda a nossa maneira de viver.

Meu desejo é que estes textos possam trazer edificação e também abrir os olhos a muitos.

Toda honra e toda glória sejam dadas somente ao nome de Jesus!
E que Deus, em Cristo, continue nos abençoando.