“Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-lo, e voltemos para o Senhor. Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus (...).
(...)
As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.”
Até a época de Samuel, Israel era governado por juízes escolhidos diretamente por Deus. Então, o povo resolveu pedir a Samuel que lhes constituísse um rei, para que fossem como as outras nações (1Sm. 8,4,5). Deus ordenou a Samuel que ungisse a Saul como rei de Israel.
Após o trágico fim do reinado de Saul, Davi foi ungido rei e, depois dele, seu filho Salomão.
Durante o reinado de Salomão, o reino foi dividido e nunca mais voltou a unificar-se. Havia o Reino do Norte, Israel, com capital em Samaria, e o Reino do Sul, Judá, com capital em Jerusalém.
Em dado momento, o Reino do Norte foi invadido e destruído, e nunca mais voltou a se reconstruir.
O Reino do Sul subsistiu ainda por um tempo, até que foi invadido por Nabucodonosor, rei de Babilônia, que cercou a cidade, incendiou Jerusalém, destruiu o templo e levou os judeus cativos.
E é exatamente neste contexto de destruição que o escritor de Lamentações apresenta suas queixas (a maioria dos estudiosos costuma aceitar que Jeremias foi o autor de Lamentações, mas há divergências).
O autor expressa toda a dor que sente por ver a destruição de Jerusalém e o cativeiro de seu povo. A humilhação e a vergonha eram tão grandes que é provável que a dor da alma fosse muito maior que qualquer dor física.
Porém, em meio ao seu lamento, o escritor deixa claro que ele sabe o motivo da destruição: “Justo é o Senhor, pois me rebelei contra o seu mandamento (...)” (Lm. 1.18); “(...) o Senhor a afligiu, por causa da multidão das suas transgressões (...)” (vv. 5); “Jerusalém gravemente pecou (...)” (vv. 8); “(...) gravemente me rebelei (...)” (vv. 20).
O povo de Deus estava tão somente sofrendo as consequências dos seus próprios pecados.
Em meio aos lamentos pela vergonha e destruição, o autor faz ao povo um conselho muito sábio: “Esquadrinhemos nossos caminhos, (...) e voltemos para o Senhor” (vv. 3.40). Esquadrinhar significa “examinar minuciosamente”. Em outras palavras, ele estava dizendo: “vamos fazer uma retrospectiva de tudo que nós temos feito até aqui; ponham a mão na consciência: por que Deus permitiu que todas estas coisas acontecessem conosco? Será que nós mesmos não procuramos nossa própria destruição quando desobedecemos a Deus?”
O autor aconselha o povo a fazer uma auto-análise, e voltar-se para o Senhor, porque as misericórdias do Senhor não têm fim, mas se renovam a cada manhã.
Fazendo uma aplicação do texto nos dias de hoje, podemos dizer que cada um de nós também tem andado por seus próprios caminhos, fazendo o que bem entende e se esquecendo de que Deus estabeleceu para nós um caminho a seguir.
Por que caminhos você tem andado? Que estradas você tem escolhido para percorrer na jornada da vida? Você tem vivido de maneira a agradar a Deus ou tem se preocupado mais em satisfazer suas próprias concupiscências?
Todos nós precisamos, todos os dias, fazer também uma auto-análise, e eu quero também te fazer um convite: esquadrinhemos os nossos caminhos! Vamos examiná-los minuciosamente e avaliar se temos andado de maneira a agradar a Deus. Caso contrário, voltemos para o Senhor! Mesmo que tenhamos pecado e transgredido, “o Senhor não rejeitará para sempre” (vv. 3.31), antes, “usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias” (vv. 3.32). E nós podemos ter certeza disto, porque “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (vv. 3.22)! Elas se renovam a cada manhã.
Ah! Se não fossem as misericórdias do Senhor... Há muito nós já teríamos voltado ao pó de onde viemos! Mas as misericórdias do Senhor não têm fim! E é por isso que nós podemos esquadrinhar nossos caminhos, reconhecer nossos pecados, nos arrepender e nos voltarmos para o Senhor, certos de que ele nos perdoará! Assim, podemos orar como o autor das Lamentações: “Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes.” (vv. 5.21)
Antigamente nós costumávamos cantar um corinho que era baseado justamente nos versículos do texto de referência. A letra é a seguinte:
Esquadrinhemos nossos caminhos
E voltemos ao Senhor
Levantemos nossas mãos ao Senhor
Levantemos as nossas mãos ao Senhor dos céus
E voltemos a Jeová, nosso Deus
Pela bondade do Senhor nós não somos consumidos
Porque as Suas misericórdias não têm fim
Novas são cada manhã (bis)
E mui grande Sua fidelidade
Alguém conhece e/ou lembra desse corinho??

